Aziz Ab’Sáber e a geografia própria do Brasil, ou, o que há em comum entre as descobertas do geógrafo com as narrativas históricas de povos indígenas do Alto Rio Negro?
DOI:
https://doi.org/10.21579/issn.2526-0375_2025_n2_21-33Palavras-chave:
Aziz Ab’Saber, geografia brasileira, território nacional, povos indígenas do Alto Rio NegroResumo
Este artigo examina a contribuição de Aziz Ab'Saber para a geografia brasileira, articulando sua trajetória pessoal, e de pesquisa, sobre os domínios morfoclimáticos, refúgios pleistocênicos e rotas paleoindígenas com a cosmologia dos povos indígenas do Alto Rio Negro, Noroeste Amazônico. A partir de uma abordagem interdisciplinar, Ab'Saber declarou que a ocupação do território brasileiro antecedeu a chegada dos colonizadores europeus, sendo marcada por deslocamentos humanos que moldaram a paisagem e influenciaram a biodiversidade. A língua tupi, amplamente difundida, e as narrativas dos povos do rio Negro, como Tuyuka e Dessana, sobre a chegada da futura humanidade ao território brasileiro, evidenciam uma territorialidade indígena que nomeou e deu significado às formas. Ao relacionar ciência e saberes tradicionais, este estudo sugere uma leitura crítica da geografia brasileira, destacando que a construção do espaço não se deu apenas pela ação colonial, mas também, pelo conhecimento e adaptação milenar das populações originárias. Assim, comprovando a hipótese inicialmente levantada, o estudo demonstrou como o pensamento de Ab'Saber permite reavaliar a história territorial do Brasil, registrando sua complexidade cultural e ambiental, e admitindo a geografia do Brasil não dissociada da geografia de seus povos originários.
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